Saindo de Casa

Como adaptar a alimentação das crianças, vivendo em um novo país.

06 de jul, 2017 - Postado por Juliana Avella

Há um ano, mudei com minha família do Brasil para o Canadá, acompanhando meu marido em uma grande oportunidade e disposta a encarar novos desafios.

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Junto a nós, sempre juntos, vieram meus filhos Cauã, na época com 6 anos, Enzo em seus 4 anos de vida e claro nosso cão e fiel companheiro Eros em seus 9 anos de maturidade canina.

Arrumamos a malas e encaramos a mudança cultural, de idioma e climática que de verdade, não é pequena. Mas estávamos dispostos e sabíamos que os frutos colhidos seriam surpreendentes.

Para uma mãe, sempre empenhada em oferecer uma alimentação saudável aos meus rebentos, minha primeira grande batalha foi a de trazer para a nova rotina, os nossos costumes e não “perder a mão”, neste processo que começou desde o ventre.

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Em minha primeira compra de supermercado, meus olhos foram todos para as frutas e legumes orgânicos, de preferência, que por minha sorte, em Winnipeg a oferta não é pequena.

Depois, fui buscar alimentos que os conectavam com seu dia a dia no Brasil, afinal toda a mudança de idioma, casa e cultura seria tremenda para meus pequenos, então acredito que manter sua alimentação similar, ajudaria com que eles se sentissem em casa, em qualquer lugar do mundo.

Lá fui eu então em busca de nosso arroz e feijão, que para minha supresa, havia uma variedade imensa, que me permitiria variar ainda mais suas fontes de leguminosas: feijão preto, carioca, vermelho, branco, lentilha de todas as cores, grão de bico, uau! Me vi fascinada em meio ao corredor, bolando as novas receitas e repetindo as minha delícias caseiras.

Bom, o sucesso já era previsto, quando voltei para casa e preparei nosso arroz com feijão, saladas e outras opções de suas preferências foi uma comilança só, e pude ver em seus olhos o conforto e prazer de “estar em casa”.

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Continuei com minha missão em mente, preparando pratos já conhecidos e aprovados pelo paladar dos meus filhos.

Quando começaram as aulas, pensei,: “Agora será ainda mais complicado”, uma vez que aqui no Canadá, as crianças tem um costume diferente de nós brasileiros. Eles consomem muita proteína e carboidrato no café da manhã, com ovos, carnes e leite e o jantar ocorre geralmente bem cedo, em torno de 5 horas da tarde, ou seja, o almoço que eles chama de “lunch”, para eles é realmente um “lanche”, um tipo de snack ou “colação”, seja lá o nome que chamar, eles acabam consumindo uma porção de fruta ou legume, um pequeno sanduíche ou um macarrãozinho com queijo (bem do sem vergonha).

Conhecendo bem meus comilões, eu saberia que este costume não funcionaria, eles sempre valorizaram bem as três refeições, como todo o brasileiro, mas com um café da manhã mais leve, claro.

Desta forma, uma vez que aqui, em geral quem manda o almoço são os pais, pensei comigo, “não vou deixar a peteca cair”.  A cada manhã, mando aquecido uma deliciosa refeição caseira para meus amores, pode variar de arroz com feijão, frango com batatas, estrogonofe, macarronada, carne de panela, yhammmm! Que delícia.

No início, as professoras comentavam comigo – que delícia que era o cheirinho de suas marmiteiras quando eles comiam – depois começaram a comentar – como eles comiam bem – afinal, todo o santo dia, os potinhos voltam para casa sem nenhum grão de arroz de sobra.

Claro,  tem àqueles dias que eles me pedem para enviar um lanche semelhante aos dos seus amigos, em geral eu abro algumas exceções nas sextas-feiras, mas eles mesmos não pedem muito, na verdade adoram seus pratos, pois quando eu mando o lanche, eles acabam voltando para casa cheios de fome…. É até engraçado, acho que eles se arrependem…

Pode parecer bobagem, mas em uma mudança como estas, pequenos segredos trazem um confronto tremendo, como a rotina do despertar ao adormecer, comidinha caseira e sabores conhecidos no prato e claro, sorrisos e carinho sem moderação, fazem com que as crianças se sintam seguras em um terreno desconhecido, permitindo que elas inconscientemente sintam que sua origem, seu chão, sua essência está preservada e o novo idioma e nova cultura serão absorvidos naturalmente.

Um ano depois de nossa chegada, meus filhos seguem fortes e saudáveis, apreciando uma boa e saudável refeição, conhecendo novos sabores e experimentando novos costumes, hoje em dia eles até nos ensinam esta constante adaptação ao novo, por exemplo, é muito comum em picnics, festas e churrascos comermos legumes crus. Isso mesmo, passei minha maternidade inteira ensinando meus filhos a apreciarem o sabor dos legumes e verduras, às vezes cozidos, outras refogados e precisamos mudar de país, para aprender que podemos sim consumir brócolis, couve-flor, erva doce e até pimentão crus, molhados em um dip de iogurte. Além de manter todos os nutrientes acreditem, é delicioso!

Vivendo, Experimentando e Aprendendo, este com certeza é o delicioso Segredo da Vida!

 

06 de jul, 2017
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